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Um check list para os Labs corporativos

Este artigo aponta os principais motivos por que muitos laboratórios de inovação fracassam e o que fazer para evitar isso

A Inovação Aberta foi disseminada entre empresas brasileiras nos últimos anos. Já passa de 100 o número de programas corporativos de aceleração de startups. E muitas dessas empresas têm também os seus Labs, ou laboratórios de inovação.

Tanto programas de aceleração corporativa quanto os labs, entretanto, costumam ter um ciclo de vida curto. Em menos de cinco anos, eles são criados, atingem seu auge, não entregam os resultados esperados e são encerrados. Essa é uma estatística global – há diversos artigos na Harvard Business Review falando sobre o tema, pra quem quiser mais detalhes.

Há uma série de motivos para isso. Simone Bhan Ahuja, autora do livro “Disrupt-It”, elenca três principais motivos para o fracasso dos Labs: falta de alinhamento com o negócio, falta de métricas para o sucesso, falta de diversidade na equipe. Isso é uma realidade, são fatores extremamente importantes para o sucesso de um lab

Entretanto, eu gostaria de trazer aqui três elementos adicionais, que, segundo minha experiência prática, fazem com que os Labs não entreguem os resultados esperados pela organização.

O primeiro é a ausência de pessoas, nas áreas de negócios, dedicadas à inovação. Em geral, os profissionais, em todas as áreas, já estão envolvidos com seu dia a dia. Estão comprometidos em bater suas metas do trimestre e do ano. Inovações costumam desviá-los deste caminho e trazem incertezas. Quanto maior o ganho potencial, normalmente maior o risco também de não dar certo. E aí, muitas vezes, se engajar num projeto inovador não é interessante, pois pode colocar em risco um resultado a ser alcançado, que vai garantir o bônus daquele time. Com pessoas dedicadas à Inovação, suas metas naturalmente estarão relacionadas ao tema e elas perseguirão este objetivo e buscarão o apoio necessário para que os projetos inovadores não parem.

O segundo elemento é a ausência, nas áreas de negócios, de pessoas apaixonadas por Inovação. Profissionais que sejam, em sua vida pessoal, early adopters de novas tecnologias. Pessoas que gostem de testar as versões novas dos produtos, que estejam sempre lendo sobre novas soluções, que sejam naturalmente curiosas e que gostem de pensar em novas formas de se resolver antigos problemas. Quando a empresa possui pessoas com este perfil, dentro das áreas de negócios, as PoCs (provas de conceito) fluem melhor, a inovação é impulsionada, a experimentação ganha relevância. Estes profissionais se tornam os sponsors das inovações trazidas pelo Lab e cuidam para que elas entrem nas esteiras de produção, após aprovadas.

E o terceiro fator é a definição do que será feito se o piloto der certo. Não é intuitivo se pensar nisso, uma vez que trata-se de um teste. Porém, é muito comum um experimento funcionar e a área de negócios não estar preparada para inserir aquela inovação em seu ambiente de produção. Os sistemas precisam ser alterados e isso exige um investimento que não estava no orçamento. Envolve mudança de processos, que são como hábitos do nosso dia a dia, o que significa dizer que há uma inércia a ser vencida. Existe um processo burocrático, de contratação da solução, que não pode ser desprezado. Há a necessidade de se aprofundar no conhecimento da nova solução. Enfim, dependendo do caso, é uma mudança profunda na área, para a qual o time não se preparou. A situação mais comum é que a área envolvida comece a pensar nisso tudo, somente após o teste concluído e bem sucedido. E, quando se depara com uma série de obstáculos, a inovação fica sob ameaça.

Fica então a recomendação para que os Labs atentem para estes pontos, de forma a evitar aumentar a estatística das iniciativas fracassadas.

fonte: https://valorinveste.globo.com/blogs/seu-negocio/post/2021/05/um-check-list-para-os-labs-corporativos.ghtml

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