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Aprendizado por repetição? Como os gatos podem aprender te observando

Muitos hábitos dos animais de estimação partem dos próprios tutores, então vale a pena dar o melhor exemplo

Os gatos são capazes de aprender diferentes truques por meio de treinamentos comuns, de adestramento comportamental, mas o que talvez muitas pessoas não saibam é que os bichanos também podem aprender diferentes meios de interação pela simples observação do ambiente e convivência com os tutores.

Esse é o que se chama de “aprendizagem por repetição”, quando o pet aprende apenas por observar um mesmo comportamento sendo repetido várias vezes no cotidiano, e isso inclui até mesmo diferentes miados,  repetindo “palavras” para interagir com o tutor.

Truques ou adaptações também podem ser ensinados aos gatos, do mesmo modo que se ensina outros truques mais comuns. Porém, para isso, é preciso estabelecer uma forma para que o pet entenda que determinados movimentos ou sons são comandos para seguir.

Como é possível observar em um estudo chamado “ Do as I Do ” (Faça como eu faço, em uma tradução direta), os gatos podem ser condicionados a imitar os movimentos de uma pessoa, contanto que tenha os estímulos corretos.

Ao Canal do Pet, a especialista em comportamento felino Juliana Damasceno explica que, assim como no vídeo, a gata se condiciona a imitar a treinadora Fumi Higaki, pois ela entende que a imitação se trata de um comando. Além disso, os gatos também podem adquirir certos hábitos apenas por observar os humanos. 

“Isso depende muito do indivíduo [gato], mas é possível sim, porque a observação é uma forma de aprendizagem natural em qualquer espécie”, diz a comportamentalista. “Todo comportamento, mesmo os originários da biologia dos gatos, é refinado durante a fase inicial da vida pela observação, como caçar ou ir ao banheiro”.

Os gatos têm habilidades de um repertório comportamental biológico por meio de observação pelo convívio com a mãe e com os irmãos de ninhada já nos primeiros dias de vida. “Isso é levado também para a fase adulta, mas é mais latente durante os primeiros quatro meses de vida do animal”, afirma Damasceno.

Caso o tutor tenha a intenção de ensinar truques ao pet pelo método de repetição, como qualquer treinamento, será preciso reservar um tempo e local adequados para isso.

O ensinamento pode ser feito mesmo para um gato já na fase adulta, desde que ele seja ensinado a repetir, Juliana Damasceno explica que “qualquer comportamento pode ser ensinado mediante condicionamento positivo. Isso é, quando o gato realiza e recebe uma recompensa pela execução do comportamento”.

A comunicação pelo miado

Uma curiosidade sobre o miado dos gatos é que eles não se utilizam dessa forma de comunicação entre membros da mesma espécie, mas apenas para se comunicarem com seres humanos.

Um influenciador chamado Mason Glasco é conhecido nas redes sociais por “conversar” com o gato de estimação chamado Coot, como é chamado o bichano, sempre responde às falas do tutor com miados semelhantes a palavras – o que não significa que os gatos possam aprender a falar, é claro.

Isso ocorre porque o felino aprendeu a repetir o que o tutor fala, mas nem todos os gatos farão da mesma forma.

“Isso é muito variável porque cada gato desenvolve miados diferentes, e muitos não vão desenvolver esse miado. Inclusive não é natural para o gato se comunicar miando”, diz a especialista. Segundo ela, os gatos aprendem que, ao se comunicarem dessa forma, terão resultados melhores com os humanos porque essa é a nossa principal forma de comunicação.

“Quando o gato mia, ele é recompensado e alguns indivíduos vão desenvolvendo inclusive chamados específicos para determinados recursos”, diz. Mas Juliana alerta que nem sempre esse tipo de comunicação é vantajoso porque pode criar uma dependência do gato para o tutor.

“Nós, comportamentalistas, atendemos muitos casos de dependência de gatos com seus tutores porque se estabelece esse vínculo de haver uma necessidade de pedir pelo recurso. Os gatos devem ter autonomia no ambiente, então esse é um tipo de conduta que nós precisamos tomar muito cuidado”, alerta.

Juliana explica que estudos como o “ Do as I Do ” mostram a capacidade cognitiva de graus de aprendizagem dentro de um protocolo de treinamento. “Então nós devemos ter bastante cuidado para orientar os tutores a fazerem em casa de uma maneira deliberada e acabar prejudicando o comportamento do gato”.

Ela afirma que, especialmente após a pandemia, criou-se um hipervínculo devido ao confinamento em que os tutores passaram mais tempo em casa, gerando um grau de dependência que traz vários malefícios à saúde física e emocional doa gatos. “Inclusive intermediada por meio dessa vocalização de pedir recursos. Então é bem importante salientar isso”.

Para todo treinamento, como mencionado anteriormente, é preciso um local adequado e tempo, paciência para respeitar os limites do animal, evitando estresse. Além disso, o pet precisa ter a motivação apropriada.

“Para ensinar qualquer truque ao felino é importante descobrir um motivador de valor. Então a recompensa para o gato precisa ser altamente motivadora”, explica. Essa recompensa pode ser alimento, carinho ou mesmo uma fala. “Às vezes, dependendo da maneira como o tutor fala, o gato já se sente recompensado. Mas também há gatos que vão ser bem mais difíceis de ter uma recompensa valorosa”, complementa.

O que não deve ser feito

Os gatos jamais devem ser privados de nenhum recurso, como ser deixado com fome ou sem acesso a recursos que para ele sejam importantes apenas para serem usados para efeito de treinamento. O estímulo usado para a aprendizagem devem ser um extra.

“Um brinquedo ou um alimento favorito, por exemplo. Hoje existem vários tipos no mercado para utilizarmos nesses momentos, como petiscos secos, alguns naturais, ou alimentos concentrados em pastinhas. Os brinquedos, quanto mais similares a presas, mais atrativos. O importante é ter um fator motivacional forte”, destaca.

Juliana usa como exemplo o vídeo (no início desta matéria) em que a tutora tem um ambiente controlado e posiciona a gata de modo que ela entenda que passará por um treinamento.

“Ela [Fumi Higaki] faz a gatinha se sentar primeiro, então a gata já entende a situação. É importante que se organize o local para que o gato entenda tempo e condição. Ou seja, tenha sinais ambientais que vão significar que vai acontecer aquele treinamento”, orienta a comportamentalista, que ressalta também a importância do horário em que será realizado cada treino.

“Deve ser um horário em que o gato estará mais ativo, não em horários de sono que são as horas mais quentes do dia. Os gatos costumam ficar mais ativos de manhã e à noite”, indica a especialista.

fonte: https://canaldopet.ig.com.br/guia-bichos/gatos/2022-09-12/gatos-aprendem-por-repeticao-veja-como-ensinar-o-seu.html?Foto1