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A relação entre fatores hormonais e reprodutivos e a demência feminina

Ter engravidado e idade mais avançada ao entrar na menopausa trazem maior proteção à mulher

De acordo com estudo publicado no início do mês na revista PLOS Medicine, um longo período de reprodutivo, que é o tempo entre a primeira e a última menstruação; ter engravidado, mesmo que sofrendo um aborto; e uma idade mais avançada ao entrar na menopausa protegem a mulher da demência. Por outro lado, experiências como histerectomia (cirurgia de retirada do útero), primeiro parto e menopausa precoces e a menarca ocorrendo bem antes ou depois da média estão associadas a um risco maior para desenvolver um quadro demencial. O que o trabalho sugere é que fatores hormonais e reprodutivos podem desempenhar papel relevante na saúde mental feminina.

O número de casos de demência, um guarda-chuva que abrange diferentes enfermidades, vem crescendo no mundo todo, com maior incidência entre as mulheres, mas ainda há poucas evidências da sua relação com fatores hormonais reprodutivos. Esse foi o campo de estudo de Jessica Gong, pesquisadora do The George Institute for Global Health, na Austrália, com colaboradores da Holanda e do Reino Unido: seu objetivo era mapear se eventos que influenciam os níveis de estrogênios – em especial o estradiol, o mais importante deles – no organismo feminino estão ligados ao surgimento da doença. “Sabemos que o risco de desenvolver demência aumenta com a idade, mas não temos certeza de que o problema se manifesta em maior escala entre as mulheres simplesmente porque elas vivem mais. É possível que os aspectos reprodutivos femininos ajudem a explicar a questão”, afirmou Gong. O time analisou informações disponíveis de mais de 270 mil mulheres.

Em outra frente de pesquisa, já é possível determinar se a diminuição da densidade óssea, relacionada à menopausa, está em andamento ou é iminente, através da medição nível de um hormônio que entra em declínio quando a mulher se aproxima da sua última menstruação. Trata-se do hormônio anti-mülleriano (em inglês, AMH), utilizado para estimar a reserva ovariana, cujos níveis declinam à medida que o derradeiro ciclo se aproxima. O mapeamento ajudaria os médicos a reduzir os riscos de condições mais sérias, como a osteoporose. A perda da densidade óssea se inicia na perimenopausa, uma janela de alguns anos antes do fim das regras que se caracteriza por outros sintomas, como ondas de calor, distúrbios de sono e oscilações de humor. O estudo, liderado pelo médico Arun Karlamangla, professor de geriatira da Universidade da Califórnia Los Angeles, também foi publicada no comecinho do mês na revista científica Journal of Bone and Mineral Research.

FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2022/04/07/a-relacao-entre-fatores-hormonais-e-reprodutivos-e-a-demencia-feminina.ghtml