Shadow

Uma conversa com a Dúvida

Quando a Dúvida e um graduando se encontram.

Com frequência, porém, nas mais movimentadas ruas do mundo, no fragor da luta diária, meus pensamentos vagueiam na constante ventania da dúvida. Está estaca maldita nos incomoda, fere-nos em sua confusa samsara de horror, convidando-nos a valsa melindrosa com passos desajeitados. Ontem peguei-me dançando com a Sra. Dúvida. A música não tinha refrão, melodia, ou som algum. Apenas dançávamos no silêncio do salão, sendo regidos por minha mente confusa. Ao término, sentamos suados, ofegantes como bufões. Conversamos sobre a carreira e ela, cumprindo seu papel, incutiu-me o desalento. Na conversa, fui destilando meu infortúnio a dama que me ouvia.

O estudante: “Achei que encontraria descanso no incrível mundo dos negócios. Ledo engano. O travesseiro é duro, o colchão é fino, a casa é úmida. Percebi que não haveria maiores facilidades no curso que escolhi. Sua vastidão me confundi, não sei qual caminho trilhar. E, mesmo se soubesse, não caminharia nele com grande convicção de ter feito a escolha certa.”

“Talvez não seja minha vocação: gravatas, ternos e sapatos lustroso. Como se o oficio do administrador fosse mera estética. Não é. Exigi o martírio, a entrega por ela. Trata-se de uma moça exigente: quero-lhes por inteiro. Não há como fugir desta verdade, ela pede que nos entregamos aos seus caprichos. Viver está vida de renúncia é um chamado quase religioso. Somos jovens prestes a assumir o sacerdócio.”

Sra. Dúvida: “Entendo, a sangria desce rente aos seus joelhos ralados de tantos tropeções. Talvez, bom rapaz, seja conveniente trocar está vida de exigência por amores brandos.”

O estudante: “Desculpe, não podemos largar a batina. Já estamos entregues.”

fonte: https://administradores.com.br/artigos/uma-conversa-com-a-d%C3%BAvida

Open chat
Clique na seta para digitar a sua mensagem