Shadow

O coronavírus está mudando cenários e devastando sonhos

Eu sei, estão bem difíceis os nossos dias

Na primeira vez que ouvi sobre o coronavírus na televisão, eu estava me arrumando para a festa de réveillon. Embora os números fossem ainda pequenos e a concentração apenas na cidade de Wuhan – China, lembrei de algumas passagens do livro de Yuval Noah Hahari e de um vídeo do Bill Gates onde ele afirma: “hoje, o maior risco de catástrofe global não se parece com uma bomba, mas sim com um vírus”.

Será?! Pensei, na época, mas era dia de festa e deixei o assunto de lado. Logo depois, me dediquei totalmente à realização da sexta edição do Excel Weekend e não acompanhei mais o assunto. No final de janeiro, retornei para Nova York para mais um semestre no mestrado. Ao chegar no aeroporto JFK, eu percebi que muitas pessoas estavam usando máscaras e que a maioria delas tinham características asiáticas. Fiquei observando o cenário por algum tempo e me questionando o motivo de eles estarem de máscara. Seria o coronavírus?

Peguei minha mala e me direcionei ao metrô, onde vi algumas poucas pessoas de máscara e todas elas eram asiáticas. Assim que cheguei no apartamento, liguei a televisão em busca de notícias sobre Wuhan. O Good Morning American estava com a sua programação normal, onde celebridades sorridentes falavam de assuntos relacionados ao entretenimento. Na internet, achei algumas matérias sobre o caso em jornais mais especializados, como New York Times, Financial Times e CNN. Sim! China estava vivendo um surto de COVID-19.

No primeiro dia de aula, reencontrei meus colegas da China. Mesmo não tendo visitado a China durante as férias, alguns deles já usavam máscara, justificando que moravam em comunidades chinesas de Nova York (como a Chinatown) e que era impossível saber quem teve contato com o vírus ou não. Precaução, eles afirmaram. O álcool em gel estava presente na sala de aula, não só pendurado na mochila – como a maioria das pessoas que vivem em NYC carregam ele – mas constantemente sendo usado. A sala tinha um cheiro de álcool. O distanciamento social de alguma forma já estava sendo trabalhado, até por que – em NYC – 30 dias de férias não é motivo para abraçar seus colegas quando você os reencontra.

Conversei com alguns colegas que tinham família na China. Fiz centenas de perguntas e percebi nos olhos deles a real preocupação do assunto. Ao mesmo tempo, o orgulho de se manterem unidos. Um deles falou: “Ligia, criamos um hospital do zero em 10 dias. Não tinha nada lá, apenas um terreno. Nós criamos um hospital! Se temos esta capacidade, também iremos sobreviver a isto.”

Os dias se seguiram e as notícias sobre a China ficaram mais constantes (ou eu passei a dar mais atenção ao tema). Em qualquer lugar de Manhattan, o COVID-19 fazia parte das conversas. Em templos religiosos, nas aulas da biblioteca pública ou até mesmo na fila de uma Starbucks alguém comentava sobre a situação do povo chinês. O Ano Novo Chinês em Chinatown foi marcado por frases de apoio à China: “Stay Strong, China”.

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Nos dias seguintes começamos a ver os casos na Itália se tornarem preocupantes e alguns americanos infectados com o COVID-19. O Good Morning American anunciando breaking news: Tom Hanks e Rita Wilson testam positivo para coronavírus. Durante uma palestra na faculdade, recebo um comunicado da Pace University afirmando o cancelamento das aulas presenciais por duas semanas para ajudar a diminuir o contágio, embora a faculdade não tivesse nenhum caso de COVID-19 entre alunos e funcionários (até hoje). Alguns alunos comemoraram a decisão, enquanto outros achavam a ação um exagero.

Acompanhamos as notícias através dos jornais e televisões, o número de pessoas contaminadas crescia dia a dia (e continuam em crescimento) e as restrições só aumentavam. E no meio de tantas orientações – lave as mãos, use álcool em gel, pratique o distanciamento, cubra a boca com lenço de papel se for espirrar ou tossir… – eu só me perguntava o que eu deveria fazer. Precisava de uma orientação mais clara. Tinha planejado em detalhe a conclusão do meu mestrado e um surto de coronavírus não estava nos meus planos.

Alguns dias depois, a faculdade oficializou o fechamento dos 3 campi até o final do semestre (meado de maio) e aconselhou que os alunos retornassem para suas casas (ou até mesmo países). Ao mesmo tempo, o governador de Nova York – Andrew Cuomo, fez um pronunciamento pedindo para as pessoas se prepararem para um possível fechamento do estado. Ele afirmava que para conter a propagação do vírus ele iria proibir a saída e entrada das pessoas.

Ficou claro que eu precisava retornar ao Brasil. Nova York estava literalmente fechada para mim. No mesmo dia, Cristiano Galvão começou um esforço que ele chamou de “O resgate da Ligia”. E em poucos dias chegava ao Rio de Janeiro. Durante os dias que fiquei isolada – já que passei por aeroportos – pensava o quanto era absurdo ter meu sonho de concluir um mestrado internacional ameaçado por conta de um vírus. E como a maioria do empresário brasileiro, minha empresa também está sofrendo com a quarentena.

Quem me conhece sabe que não gosto de ter a minha vida determinada pelos outros. Mas infelizmente – depois de muita terapia – percebi que são as ações externas que mais determinam o nosso futuro. Não tinha jeito, teria que enfrentar o monstro de frente. Então, fiz isso em etapas:

– Mestrado: a faculdade permitiu a conclusão do curso na modalidade online. Vou me formar! A faculdade e os professores estão fazendo todos os esforços possíveis para ajudar os alunos. Até o final do ano me torno mestre em Inteligência do Consumidor e Análise de Dados.

– GENECSIS Informática: Continuamos suportando nossos clientes no canal online. A tecnologia está aí para ser usada! Fazemos reuniões remotas e compartilhamos as bases na nuvem. As aulas continuam na modalidade online. Eu e o Cristiano estamos aproveitando o tempo de quarentena e usando nosso tempo ocioso para compartilhar conhecimento através de lives. Acompanhe a gente para saber dos tópicos que iremos compartilhar!

A verdade é que a situação global em que vivemos é inédita para todos. Não há um manual a ser seguido. Mas é importante nos mantermos unidos e criativos. E nesta correria, recebi um texto de Albert Einstein que nos alerta que são as crises que nos colocam na frente:

“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar ‘superado’. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência… Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um…”

fonte: https://administradores.com.br/artigos/o-coronav%C3%ADrus-est%C3%A1-mudando-cen%C3%A1rios-e-devastando-sonhos

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