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Do Atari ao Fortnite: quem é Patriota, o brasileiro que ganhou dancinha no Fortnite

Kim “Patriota” se tornou um dos maiores ícones do battle royale da Epic Games no Brasil

O domingo do dia 19 de abril não foi apenas mais um para Kim “Patriota”, um dos maiores youtubers e streamers do Brasil com conteúdo de Fortnite. O jogador amanheceu com o Passinho Dinâmico, uma dança autoral do brasileiro, disponível para compra na loja do maior battle royale do mundo. “Surreal. Até agora não acredito”, define o autor da dança. Em conversa exclusiva GloboEsporte.com, Patriota contou a trajetória até chegar ao emote do game.

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– Foi um dos dias mais bizarros da minha vida. Eu ver a dança na loja e anunciar para o pessoal nas redes sociais. É o primeiro da América Latina. Eu não sabia que era uma dança, achei que ia acenar ou qualquer coisa – diz.

Apesar da “simplicidade” da dança, Patriota conta o trabalho que deu para produzir o conteúdo para a Epic Games. De acordo com ele, foram mais de 5 meses em contato com a desenvolvedora de Fortnite.

Patriota@patriota

Ladies and gentlemen… OH YEAHHHHH!!! CHEGOUUUUU
Ta na loja o Passinho Dinâmico com movimentos nunca antes vistos pela humanidade! Simplesmente surreal ahhhhhh7,8419:56 PM – Apr 19, 2020Twitter Ads info and privacy989 people are talking about this

– Foi um negócio de 5 meses. A quantidade de vídeos que a Epic tem meu dançando de pijama não tem escrito – brinca. – Era pra eu fazer uma coisa, que evoluiu pra outra, e evoluiu pra outra. No final eu falei que já estava emagrecendo e pedi pra eles juntarem o que eu havia mandado e criado uma dança.

A relação de Patriota com os games, no entanto, vem de muito tempo antes de Fortnite, battle royale, ou até mesmo jogos de PC.

Do Atari ao FPS

Nascido em 1988, Patriota possui apenas 22 anos. Pelo menos essa é a piada interna do streamer com os fãs. No entanto, o jovem de “apenas” 22 anos iniciou o caminho no mundo dos games com um console que a maioria dos atuais jogadores de Fortnite só viram por foto.

– Sempre joguei desde novo. Tive o Atari, mas era meus irmãos que jogavam, e eu sempre gostei de ver o meu irmão mais velho jogando. Eu lembro que Resident Evil era um jogo que eu tinha muito medo, mas chamava meu irmão mais velho para assistir jogar. Era como se fosse uma stream ao vivo – disse Patriota.

Apesar de ter passado por outros jogos de FPS clássicos como 007 para Nintendo 64, Patriota conheceu o multiplayer com Delta Force, lançado em 1998. Apesar da pouca idade, Kim conta que já era o suficiente para vencer dos mais velhos nas partidas online.

– Esse meu irmão mais velho me levou para o mundo do FPS. O primeiro online foi Delta Force. Eu era muito novo e dava uma coça nos caras mais velhos.

O início na internet e nem sempre Patriota

A história de Patriota na internet é dividida em duas etapas. A primeira delas não é a melhor possível. De acordo com ele, a primeira tentativa de se dedicar ao YouTube aconteceu mais ou menos em 2012 ou 2013, mas acabou não dando certo. Kim diz que “ele e um amigo tentaram fazer juntos, mas não souberam lidar direito”.

Com isso, a segunda tentativa aconteceu apenas alguns anos depois, em 2015. Na época, Patriota trabalhava com a família com material hospitalar, mas decidiu largar o emprego e se dedicar exclusivamente aos jogos durante 1 ano.

– Eu tentei de novo pra valer. Fiquei um ano sem trabalhar e focado no canal do YouTube. Acabei conseguindo ver que tinha uma forma de viver disso, mas acho que durante 1 ano e meio não ganhei dinheiro ou quase nada – diz o jogador.

Nesse meio do caminho, Kim começou e largou a faculdade de Direito por ver que “não era pra ele”. Em seguida, chegou a iniciar Administração, mas se viu obrigado a trancar em função da loucura toda que virou a vida em função do sucesso que começava a surgir.

Apesar de ser conhecido pelos conteúdos de Fortnite, além de outros jogos FPS, o primórdio de Patrioca na internet foi, principalmente, com Overwatch. Se acordo com ele, foi quando o canal começou a dar certo, além de iniciar a produzir conteúdo junto com os Piratas, ao lado de Davy Jones, Cross e companhia.

– Overwatch estava popular, e foi quando eu vi o canal crescer bastante. Aí depois veio PUBG, Paladins e Fortnite. Eu sempre estive na onda desses jogos muito populares.

Apesar de ficar conhecido no mundo, principalmente após o lançamento da dancinha em Fortnite, Patriota revela que nem sempre carregou esse apelido nos jogos. Inicialmente, Kim usava o nick “Trevor”, mas confessou que achava muito comum.

Foi enquanto assistia ao clássico protagonizado por Mel Gibson que o jogador descobriu qual nick carregaria pelo resto da vida nos games. Lançado em 2000, o clássico do mesmo nome do jogador serviu de inspiração para que ele utilizasse o nome que carrega até hoje.

– Patriota foi por causa do filme com Mel Gibson. Foi inspirado de lá. Deu vontade de mudar. Lembro que vi o filme e decidi botar o nome no jogo. Na época eu jogava um MMORPG e nunca mais mudei – relembra a origem do nome.

Início no Fortnite e vida de streamer

Apesar de assumir o vício em Fortnite, Patriota revela que a proximidade com o jogo não foi paixão à primeira vista. Apesar de já estar familiarizado com jogos FPS, Kim afirma que não chegou a gostar muito do título da Epic Games. No entanto, foi por insistência de Alan “Alanzoka” que ele criou uma relação ainda maior com o battle royale.

– Na época eu estava viciado em PUBG. À princípio não tinha gostado de Fortnite, mas joguei por insistência do Alanzona. Depois eu me viciei de uma maneira assim… É tão bizarro que aumentei os meus dias de live pra jogar mais. Comecei a jogar pra valer mesmo na terceira temporada.

Patriota junto com amigos que fez na caminhada pelo YouTube — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Patriota junto com amigos que fez na caminhada pelo YouTube — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Patriota junto com amigos que fez na caminhada pelo YouTube — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Graças a essa insistência que Patriota esteve ao lado de um dos maiores ícones do battle royale. Em 2018, ele jogou contra Tyler “Ninja”, na E3. Além dele, também teve a oportunidade de jogar contra o DJ Marshmello, responsável por levar um dos maiores públicos à Fortnite. No ano passado, ele realizou um show dentro do jogo que contou com a participação de mais de 10 milhões de jogadores assistindo.

Apesar de jogar em alto nível, Patriota revela que não pensa em iniciar uma carreira de jogador profissional, mesmo já tendo recebido convites.

– O nível de um pro player é muito grande. E não sei se tenho talento pra ser do nível dos melhores do mundo. Sei que poderia jogar profissionalmente, mas não sei se seria tão bom quanto eles – diz o jogador. – Teria que me dedicar muito, treinar, ver replay. Eu não faço nada disso. Jogo com meus viewrs. Mas é isso que eu quero. Quero jogar por entretenimento.

– Organizações já entraram em contato comigo, mas não rolou. Tanto em Overwatch, Pubg ou Fortnite. Mas eu não tenho interesse no competitivo. Eu não daria a atenção que o time merece.

Mesmo sem se tornar um jogador profissional, isso não quer dizer que Patriota tenha uma vida tranquila como streamer. Durante a entrevista, o jogador relatou um pouco do dia a dia e de quais formas procura descansar. Mesmo nos fins de semana de folga, “jogar Fortnite” ainda é uma das atividades favoritas de Kim.

– Eu fico exausto depois de uma live. Durante o vídeo eu falo muito com as pessoas que estão me assistindo. Tem que estar sempre entretendo e comunicando. Tenho que jogar, prestar atenção no jogo, ler o chat, ler alerta de pessoa se tornando sub. No início 3 horas de live é quase como se você tivesse ido à academia. A cabeça fica destruída.

Reconhecimento e ligação com o público

O preço de ser um dos maiores streamers de Fortnite custou o preço da popularidade à Patriota. No entanto, ele afirma não se importar com isso e diz que já acostumou em ser reconhecido na rua. Ainda assim, diz como acha legal ver que está crescendo e notando o carinho que o público possui.

Patriota se tornou um dos ícones do Fortnite no Brasil — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Patriota se tornou um dos ícones do Fortnite no Brasil — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Patriota se tornou um dos ícones do Fortnite no Brasil — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

– Esses dias eu pedi de um restaurante em um aplicativo de entrega e recebi um bilhete do gerente do estabelecimento que reconheceu o meu nome. As pessoas acham que só tem criança me assistindo, mas tem muito adulto também – afirma Patriota.

– Sou parado na rua por criança, adulto e até por pai que assiste os vídeos com os filhos. Já acostumei de ir em restaurante e vir gente na mesa pedir pra tirar foto – diz o streamer, que afirma não se importar com isso.

fonte: https://globoesporte.globo.com/e-sportv/fortnite/noticia/do-atari-ao-fortnite-quem-e-patriota-o-brasileiro-que-ganhou-dancinha-no-fortnite.ghtml

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