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‘Administração é para Administrador?’

O destino profissional do bacharel em Administração.

Quando se conclui a faculdade, a expectativa por novas oportunidades é alta. Pra quem tem boas condições financeiras, ainda dá pra esperar, mas em algumas situações (como a minha na época), não há a menor condição. Todas as outras contas esperavam a conclusão da faculdade pra serem pagas, porquê embora consegui alguns estágios, eram no serviço público ou na área Comercial (que eu sou totalmente pacata). O salário dava somente pra pagar a mensalidade. Além disso, não haviam recursos pra aquisição dos materiais exigidos pelos professores. Mas isso não vem ao caso.

Quando se termina, o anseio é de entrar no Mercado de Trabalho e crescer logo. Não é de se esperar menos de uma geração acostumada ao imeatismo, da ‘era da ansiedade’…

Mesmo assim, não é um erro se querer resultado de tantos investimentos em curto prazo. Além da ‘era da ansiedade’, essa também é uma era de muitas diferenças sociais, embora mais camufladas do que antigamente. Todos queremos estar ‘em pé de igualdade’, poder possuir o nosso próprio dinheiro, carro, casa… Queremos poder viajar, investir em novos conhecimentos… São coisas simples, mas que não acontecem sem dinheiro.

Frequentemente me deparo com uma profissional excelente. É formada há mais de 10 anos e ainda espera pela oportunidade dos sonhos. E acredite! A oportunidade dos sonhos pra ela, pode ser apenas uma Vaga de Auxiliar Administrativo, com tendências ao setor trabalho financeiro. Ela iniciou sua vida profissional estagiando no Faturamento de um hospital que entrou em falência. Trabalhou em outro hospital que trocou a Diretoria e a demitiu. E desde então, as oportunidades que surgem são lanhadas da vida, por se tratar de uma pessoa muito analítica, centrada e séria (de aspecto). Trata-se de uma pessoal séria, tanto no aspecto físico o quanto no exercício da sua função. Mas quem contrata alguém por análise do seu perfil?

Além disso, as oportunidades da área Administrativa normalmente não são somente para pessoas da área Administrativa. Sempre me intriguei com isso… Se eu, sem nenhum curso específico, quiser iniciar atividades de atendimento Psicológico, adquirir um consultório e exercer essa profissão, certamente sofrerei as penalidades previstas para os fraudatários. Agora, se sem um curso específico, eu quiser exercer atividades de um Administrador de Empresas, eu posso.

Da mesma forma, não posso chegar perante um tribunal e defender uma pessoa. Existe um profissional preparado pra isso, graduado única e exclusivamente em Direito.

Não posso fazer auditoria. Só alguém formado em Contabilidade.

Não posso desenhar ou arquitetar um projeto. É tarefa para o Arquiteto ou Engenheiro.

Não posso fazer uma cirurgia. Tarefa exclusiva do Médico Cirurgião.

Enfim, essa lista é imensa.

Todos esses profissionais são cotados para administrarem empresas. Seria esse o motivo de as Empresas terem a média de sobrevivência tão baixa?

Na hora da entrevista ou Concurso da área Administrativa, a concorrência é com o nível médio, o Psicólogo, o bacharel em Direito, o Contador, o Arquiteto ou Engenheiro, o Médico… Isso não é injusto com o graduado em Administração?

Todos têm mesmo que apresentar uma performance extraordinária na entrevista pra conseguir se sobressair na área em que lutou, pagou, investiu 4 anos de estudo e concluiu?

Assim, só sobram as oportunidades comerciais, que, acreditem: NÃO SÃO TODAS AS PESSOAS QUE TÊM ESSE PERFIL!!!

Então, quanto àquela profissional mencionada lá em cima, depois de ser muito julgada por “não querer trabalhar, pois quem quer trabalhar aceita qualquer oportunidade”, (e ela dispensava vendas), recebeu uma oportunidade dos sonhos e a abraçou. Alguém, mesmo em dúvida de que seria uma boa profissional por causa da sua seriedade, decidiu arriscar. Até porquê, ele disse que pensava: o setor financeiro precisa de silêncio para que as atividades possam ser bem exercidas. E não deu em outra coisa! Após um tempo da contratação, ele se dizia arrependido por não tê-la contratado antes. Excelente profissional!

Mas… O contrato predominante da empresa era temporário. À medida em que a empresa perdeu o contrato, teve que demitir os funcionários. Não deu em outra coisa: 2 anos de trabalho e fim do contrato.

Novamente em busca de oportunidades, ela enfrentou várias entrevistas, se vendo perder pra pessoas ‘mais espertas’, que falsificavam dados nos Currículos, sabiam sorrir na hora necessária e de fácil comunicação. Poderiam não ser as melhores alternativas para o setor, mas conseguiam e seguiam. Na falta de oportunidade e sobra de competência, essa profissional, que até agora não pôde adquirir a sua própria casa, possui somente o seu veículo, resultado dos anos alternados que conseguiu de trabalho, começou a estudar pra Concursos e, logo de início, foi aprovada pra uma oportunidade de Coordenadora, em 4° lugar. Nesse momento, aguarda convocação. Não era falta de competência. Era falta de oportunidade!

Agora, eu me pergunto: quantos profissionais desses não existem espalhados por aí? Quantas pessoas tiveram que se contentar em uma vaga que não se sente satisfeito por não receber a oportunidade adequada no Mercado de Trabalho? Quais são os critérios pra que se seja recrutador atualmente?

Bom… Ficam aí as colocações de uma pessoa da vida real pra que se reflita.

Fonte: https://administradores.com.br/artigos/administra%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-para-administrador-4

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